Publicado em 22.10.2018 às 11:02

Educação é a base para o desenvolvimento

Não se faz educação isolada do mundo real, muito menos do desafio do trabalho e desenvolvimento econômico. Tudo está integrado. Razão pela qual a qualidade do ensino é requisito fundamental para influenciar a formação de um círculo empreendedor e de cidadãos com melhor noção de capital social, pertencimento e engajamento positivo no ambiente de sua cidade e região.

“Educação, tecnologia e empreendedorismo devem ser uma obsessão para os municípios. Exemplo é o Vale do Sinos. Ou a região se torna pós-industrial flexível, com forte presença de indústria 4.0 e serviços internacionalizados, ou não conseguirá acompanhar o fluxo econômico e vai administrar um empobrecimento relativo pelas próximas décadas”, frisa o economista leopoldense Gustavo Grisa, sócio da Agência Futuro, de São Paulo.

Grisa, um dos principais especialistas brasileiros em inovação pública e economia urbana, faz uma análise sobre a educação e sua relação com o desenvolvimento das cidades, propósito do Educação em 1o Lugar, projeto do Instituto São Leopoldo 2024 e Grupo Sinos que busca a melhoria dos indicadores do ensino nos 52 municípios dos Coredes Rio dos Sinos, Rio Caí, Paranhana/Encosta da Serra e Região das Hortênsias, mais Cachoeirinha e Gravataí.

REGIÃO PRECISA GERAR “CÉREBROS”

O Vale do Sinos se desenvolveu com base em uma indústria tradicional que não exigia alta escolaridade e era empregadora massiva. Mas isso é coisa de 30 anos atrás. Estamos vivendo e sofrendo com um hiato. Não é à toa que a participação da região no PIB brasileiro caiu pela metade entre 1985 e 2015. Por essa razão que, antes tarde do que nunca, a educação é a tábua de sobrevivência para a região, que precisa gerar “cérebros” e ter capacidade de retê-los: sem qualidade no ensino, não há chances de se alcançar uma economia de alta produtividade, como o futuro do Vale do Sinos requer.

"Ou a região se torna pósindustrial flexível, ou não conseguirá acompanhar o fluxo econômico e vai administrar um empobrecimento relativo pelas próximas décadas."

O economista Gustavo Grisa também liderou mais de 30 projetos de inovação e gestão pública em todo o Brasil. Escreveu o livro “RS-Sem Medo do Futuro”, em 2009, e colaborou com a Visão Estratégica 2016 do Instituto São Leopoldo 2024, em 2011. Também coordenou tecnicamente o projeto RS 2030, da Famurs, e ajudou a formatar os “Agentes de Desenvolvimento” em mais de 1.500 cidades brasileiras, além de ter sido consultor do programa Desenvolvimento Econômico Territorial do Sebrae Nacional.

A QUALIDADE EM PONTOS

O ensino básico deveria focar alguns pontos para obter melhor qualidade. Pedagogia inovadora é um deles, pois não é possível que as escolas ensinem da mesma forma que aprendemos há 40 anos. Ambientes adequados nas escolas; investimento em formação de professores e gestores de escolas; condições de trabalho, saúde e bem-estar dos educadores; maior envolvimento das famílias ( a escola não substitui o engajamento da família na educação); avaliação de desempenho das escolas; engajamento dos professores e educadores na comunidade são questões que devem estar em evidência. O salário de professores é importante, mas não o determinante final: o município de Porto Alegre, por exemplo, tem um dos salários mais altos do Brasil e registra mau desempenho na qualidade de ensino.

Era da indústria 4.0

A economia de base tecnológica é fundamental. Mas as coisas precisam ser construídas com competência. Municípios da região deveriam estar entrando em uma era pós-industrial, ou na era da indústria 4.0. Isso significaria a consolidação dos polos tecnológicos existentes e uma industrialização ou reindustrialização seletiva, com base em indústria intensiva em conhecimento, automatização e conectividade. Mais do que infraestrutura, principalmente em telecomunicações e turismo de negócios, isso exige recursos humanos com raciocínio lógico desenvolvido, domínio de idiomas e capacidade de flexibilidade e alternância entre indústria e serviços, empreendedorismo e emprego.

Acesse:

www.educacaoem1lugar.com.br

www.isl2024.org.br

www.brasilalemanha.com.br

Publicado em 09.10.2018 às 09:59

Pesquisa encanta o conhecimento

Gustavo Freitas, Edson Pereira e Jéferson Adriano da Costa desenvolveram o projeto Furadeira de Circuito Impresso CNC que foi o ponto de partida para a fundação da Tecnodrill, empresa de automação de Novo Hamburgo. Premiado com o 1º lugar em feira nos EUA, CristianoKrug, hoje professor de Física na Ufrgs comandou as pesquisas e desenvolvimento daCeitec S/A. Estes são alguns nomes entre milhares de alunos que apresentaram projetos emblemáticos nas edições da Mostratec e que reforçam a importância da pesquisa como ferramenta da educação. “Dificilmente, o autor de pesquisas não terá encantamento pelo conhecimento. Esta relação fica estabelecida e gera um ciclo virtuoso”, afirma André Luís Viegas, coordenador da Mostratec Júnior.


Voltada unicamente ao ensino médio e técnico até 2010, a Fundação Liberato abriu campo para os anos iniciais e finais ao criar a Mostratec Júnior. E os resultados surpreenderam a cada ano, numa sequência vertiginosa de crescimento. Dos 12 projetos inscritos do ensino fundamental em 2011, a edição 2018 contará com 263. E a educação infantil saltou de 32, em 2015 (ano em que foi incluída no processo de seleção), para 72 neste ano. “Teremos 335 projetos, 70% são da rede pública. Este volume representa 53% a mais de participantes de uma Mostratec há dez anos – em 2008 foram 219 projetos”, observa Viegas.


Para ele, a pesquisa deve ser trabalhada em todos os níveis de ensino, pois, ao movimentar o aluno, dá a oportunidade para que ele seja protagonista, o autor de descobertas e de sua cidadania. Sem falar que provoca um efeito inspirador, ao chamar atenção e ser modelo para outros estudantes. Ao mesmo tempo motiva o compartilhamento do saber e do aprender com o professor, uma experimentação dupla.


53 feiras em 35 municípios


A decisão assertiva de fomentar a pesquisa desde cedo foi replicada para os municípios como um novo olhar de proposta pedagógica. A Mostratec Júnior foi responsável por um gigantesco fenômeno, ao desencadear uma proliferação de mostras científicas e tecnológicas nos municípios. “Hoje, há 53 feiras em 35 cidades gaúchas. Projetos com diferentes realidades – seja da zona urbana ou rural – que são selecionados para exposição em nossa feira”, explica o coordenador.

Um processo e não a solução

Apesar de todas as expectativas criadas para a apresentação dos projetos na feira, Viegas atribui a grande carga de importância ao pré-feira. “A Mostratec Júnior é a porta de entrada de disseminação de metodologias ativas. O trabalho de desenvolvimento do conhecimento deve ser visto como um processo pelos gestores de educação e professores. Pesquisa não é algo automático, algo que se sabe onde vai chegar, Portanto, não significa encontrar a solução.”


Para Viegas, o ponto principal é o que a pesquisa desencadeia: linguagem científica, escrita e hipóteses. “O papel do professor muda de transmissor de conteúdo para orientador. Devem buscar e pesquisar juntos, do contato com a realidade, o olhar ao redor à organização da pesquisa”, argumenta, lembrando que alunos que participam desse processo acabam ficando acima da média. Desta forma, na competição educativa o melhor projeto deixa de ser o produto final para ganhar forma no que gerou maior aprendizado.