Publicado em 22.01.2018 às 11:03

Educação deve ser base da pirâmide

Por que o Brasil está entre os países com os piores indicadores em educação? Há como reverter o baixo desempenho dos alunos? Quais os motivos para o crescimento do analfabetismo funcional? A qualificação do ensino básico ao superior e a valorização dos professores é uma combinação que justifica boa parte das preocupações com os rumos da educação. Na extensa lista de questionamentos não há como apontar um único culpado até porque o sistema educacional é complexo e depende do envolvimento de todos. O certo é que os desafios para recolocar a educação na base da pirâmide do desenvolvimento do País só serão vencidos com o engajamento da sociedade e dos governos. Provocação lançada pelo Instituto São Leopoldo 2024 e o Grupo Sinos com a ação Educação em 1o Lugar, que integra o Programa Bicentenário da Imigração Alemã.

Helenise Ávila Juchen
Coordenadora da 2ª CRE São Leopoldo


Tempo integral sinaliza mudanças

Alunos fora da sala de aula, muitos professores sem formação completa e desigualdade social. Conjugação de fatores que reflete no baixo desempenho dos alunos e compromete as chances de um profissional autônomo e competente no futuro. Manter o aluno na escola e fazer com que ele saia qualificado são desafios para as 168 escolas de 38 municípios sob a responsabilidade da 2a CRE. Uma das soluções, que entra em vigor neste ano letivo, é a oferta de ensino médio em tempo integral em três escolas – Campo Bom, Montenegro e Sapiranga. Precisamos eficiência e o projeto Educação em 1o Lugar é louvável ao propor abordagens para boas práticas pedagógicas.

Seno Leonhardt
Sinepe-RS

Iniciativa é para provocar reflexões

Mesmo propalada em discursos como base importante para o desenvolvimento de um País, a educação ocupa um espaço secundário no Brasil. A pergunta que precisamos fazer é que tipo de mudanças os governos desejam fazer e se estas mudanças interessam? É preciso recuperar a valorização da educação (difundida pelos imigrantes) e o reconhecimento de seus profissionais pela sociedade. A ação Educação em 1o Lugar, uma iniciativa desafiadora, surge para desacomodar e provocar reflexões na sociedade e em todas as esferas, trazendo benefícios imensuráveis para a região. Viveremos um novo tempo.

Maristela Guasselli
Presidente Undime Vale do Sinos e representante do RS Undime Nacional


Descentralização desafia dirigentes

O movimento de descentralização de responsabilidades desafia os dirigentes municipais de educação, uma vez que não há o equilíbrio valorização, legislação e orçamento. É sabida a escassez de recursos financeiros no País e no Estado, mas o atendimento da educação infantil, com um custo três vezes maior que o ensino fundamental veio por determinação, sem debates. Não basta erguer paredes de escolas Pró-Infância, sem pensar no restante da estrutura. A educação clama por mais financiamento e precisa ser vista como prioridade de fato, ter professores qualificados e credibilidade da sociedade. Esta ação será determinante
para lançarmos novos olhares à educação.

Leandro Karnal
Historiador e professor


Educar é preparar um horizonte

Como descendente de imigrantes digo que os municípios precisam fazer com que a educação, semelhante a uma fênix, renasça das cinzas e passem a educar com a consciência de quem prepara um horizonte. Podemos cortar verbas em tudo, menos a verba do futuro, que se chama educação. Se cortarmos a verba do amanhã o resultado será um só: pessoas mal preparadas e sem horizontes. Cabe aos professores, profissionais fundamentais, a construção deste futuro. Por isso não podemos ter escola média, mas ótima, porque a escola é energia criadora que rompe os nós que impedem qualquer progresso.

Chamamento para provocar e apontar caminhos para ser referência


Como falar em educação sem fazer a conexão passado, presente e futuro. Se o principal legado dos imigrantes foi a valorização da educação e de seus profissionais – exemplo seguido pelos países desenvolvidos que embasaram o seu desenvolvimento na qualidade da educação e, hoje, colhem os frutos desta decisão estratégica – a linha do tempo em construção aponta que caminho idêntico pode ser trilhado para a busca da referência em educação. Chamamento feito pela ação Educação em 1o Lugar junto aos 2.328.625 habitantes de 52 municípios que compõem os quatro Conselhos Regionais de Desenvolvimento da Região Sul – Coredes. O objetivo é atingir e superar as metas fixadas pelo Ministério da Educação (MEC) até 2024, ano em que se celebra os 200 anos da Imigração Alemã no Brasil.